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Vejo-te a ti No meu coração És aquela que Toca a música Chamada Amor És aquela Que me faz vibrar, Que me faz estremecer, Viver e aprender. És a minha musa inspiradora És a fonte da minha vida, do meu ser, Obrigado por seres quem és. Ricardo Vieira
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

O Endividamento das Famílias e das Empresas Portuguesas

As famílias e as empresas Portuguesas têm vindo a sentir dificuldades crescentes em pagar as suas dívidas. Contudo, a evolução dos empréstimos dos bancos às empresas registaram em Agosto a terceira quebra mensal consecutiva, recuando para os 117,4 mil milhões de euros. Nos empréstimos às famílias o crédito concedido em Agosto prosseguiu uma tendência de aumento, totalizando 135 mil milhões de euros.
Concomitantemente, o Banco de Portugal regista uma subida do crédito malparado ininterruptamente desde Janeiro de 2009. Segundo o balanço do Banco de Portugal, os empréstimos que as famílias Portuguesas não conseguem pagar atingiu um valor recorde em Agosto de 3,75 mil milhões de euros, o que revela um aumento de 25% em relação aos montantes observados em Janeiro. Nas empresas, a situação não é melhor, com o total de crédito malparado a ascender em Agosto deste ano aos 4,65 mil milhões de euros, um aumento de 69,2% face ao valor registado em Janeiro de 2009.
Consequência do aumento do desemprego, baixos salários ou uma “vontade incontrolável de gastar”, a verdade é que as dívidas continuam a aumentar, facto a que não são alheias a má gestão financeira das famílias, mas também a oferta insistente, facilitada e, por vezes, irresponsável das instituições de crédito. Vivemos numa era de febre consumista, em que a taxa de poupança Portuguesa se cifra pouco acima dos 8% (cerca de metade da média da União Europeia segundo os dados do Eurostat). Apesar dos baixos salários médios e da crise de competitividade da economia Portuguesa, as famílias abusam do crédito ao consumo, fácil e de simples acesso, acumulando prestações numa ilusória riqueza. As menos inocentes instituições de crédito exploram esta febre, “vendendo” dinheiro sem restrições. Com a crise a esquecer-se a cada dia que passa, com a clara regulação deficiente do sistema bancário e mais grave, com a ausência de correcção das falhas detectadas com a crise (o crédito ao consumo continua a aumentar), o que acontecerá quando a Europa começar a sair da crise e, o Banco Central Europeu começar a rever em alta os valores das taxas de juro de referência, com impacto directo na Euribor?!
De forma preocupante, as famílias Portuguesas parecem continuar na sua fuga para a frente, sustentando um nível de consumo baseado na antecipação de rendimentos futuros num montante sustentável apenas num cenário idílico, mas irresponsável, de taxas de juro baixas. A crise expôs as debilidades do sistema financeiro internacional, com custos económicos muito elevados, responsabilidade das más práticas do sistema financeiro, das falhas de regulação das entidades competentes e da irresponsabilidade das famílias que sustentaram perfis de consumo irrealista e apenas suportáveis num cenário de taxas de juro baixas.
Em Portugal, as famílias devem educar-se para uma mais sustentável gestão financeira, aumentando a poupança e refreando a pressão consumista. As instituições de crédito devem assumir a sua responsabilidade social e económica e promover o aconselhamento das famílias quanto ao sobreendividamento. Face aos dados de contínua expansão do crédito às famílias e diminuição do investimento das empresas, corremos um risco elevado de estar a minar a recuperação económica e de continuarmos a crescer a um ritmo demasiado lento e de divergência face à União europeia.

publicado por Ricardo Vieira às 23:40
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Uma dívida pública que assusta

Em dez anos a dívida pública portuguesa passou de 50% do PIB para 91% do PIB.
A explosão da dívida começou o ano passado.
E a dívida é a melhor aproximação ao desequilíbrio orçamental.
Este ano vamos ter o segundo Orçamento rectificativo - para que o Parlamento autorize o Estado a endividar-se mais.
publicado por Ricardo Vieira às 22:50
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Inquérito

 

Somos um grupo de jovens, alunos da escola Didáxis Cooperativa de Ensino de Riba De Ave, turma 12.3, do curso ciências socioeconómicas.
No âmbito da disciplina de Área Projecto decidimos fazer um estudo de mercado, que pretende comparar os preços entre as diferentes grandes superfícies retalhistas existentes no concelho de Vila Nova de Famalicão e Guimarães.
O objectivo final será dar a conhecer à população dos referidos concelhos qual o hipermercado mais barato.
 
                 Assim no sentido de apurar as escolhas dos portugueses fizemos este Inquérito para que possamos estudar melhor o nosso comportamento a titulo de consumidores, para isso visitem este link e respondam ao inquérito não custa nada são só 4 minutos, 
 
 
 http://www.encuestafacil.com/RespWeb/Cuestionarios.aspx?EID=617700&MSJ=NO#Inicio 
 
 
O grupo Agradece
 
publicado por Ricardo Vieira às 20:58
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Globalização

O espírito da globalização foi (e é) o de facilitar a vida do cidadão do mundo; no entanto, as diferenças sociais permanecem.

Num texto bem organizado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, apresente uma reflexão sobre a perspectiva referente à globalização, expressa na frase enunciada. Para fundamentar o seu ponto de vista, recorra, no mínimo, a dois argumentos, ilustrando cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

 

Esta foi a última pergunta do meu teste de Português à qual respondi e que achei pertinente expor a minha opinião, é o que farei alterando alguns pontos de vista que achar essenciais e que responda melhor à questão feita.

 

Falar de Globalização é falar essencialmente em Portugal, se voltarmos ao século XV e XVI, Portugal iniciava a Globalização com os descobrimentos em África e nas Américas, era o início de uma "Nova Era Mundial", que nem o Infante D. Henrique saberia as suas consequências. Portugal, após estes dois séculos de descobertas, era considerado já uma potência Mundial e tinha conseguido criar rotas mais curtas para o Comércio das sedas e especiarias, então estamos nós agora no presente a ver os efeitos da Globalização, isto é, ver o filme e dar o nome ao acontecimento (Globalização), mas vejam em 200 anos tínhamo-nos tornado numa potência!  É isto a Globalização.  

Crescemos,  desenvolvemo-nos, o mundo ficou cada vez mais pequeno, cada ano que ficava para trás, os países conheciam outros "mundos", novas mentalidades, culturas e sobretudo conheciam a desigualdade.  

Foi com a Globalização que a desigualdade aumentou, o poder de alguns sobre todos os outros era cada vez maior, os pequenos cresciam, e nunca foram corrigidos. A escravatura, o trafico dos escravos, o trabalho por eles feito e mal pago era visto pelos patrões como fonte de rendimento mas para os escravos era, na minha opinião, uma falta de respeito.  

Agora, em pleno século XXI, a Globalização está a olhos vistos, e o Infante D. Henrique "deve andar aos saltos no sarcófago", nunca imaginará as consequências dos Descobrimentos de um mundo novo, "tenho pena dele". Foi à conta da Globalização que os países se desenvolveram.  Vejamos o exemplo da Inglaterra.     

                Inglaterra industrializou-se, no fim do século XVIII e já no século XX, em meados de 1914 arrebenta a Primeira Grande Mundial, isto ocorreu devido à Globalização!

A Alemanha também se tinha industrializado e a concorrência era tal que só acabou com a Guerra. São exemplos óbvios de uma consequência negativa.

                Agora fala-se de crise e pergunto, a crise apareceu devido a quê?

A resposta seria, devido à Globalização. O desenvolvimento de alguns são o mal de outros e aí persistem as desigualdades sociais, para satisfazer os mais ricos sacrificamos os mais pobres, não está correcto! Devemos ter os valores da vida sempre em funcionamento e não só quando assim nos dá jeito utiliza-los.

Se temos fronteiras devemos respeitá-las. Mas não nos podemos esquecer, a Globalização tem factores também positivos, foi com ela que conhecemos novos mundos, é com ela que conseguimos perceber os outros e os outros conhecer-nos a nós, é com ela que consigo falar com varias pessoas ao mesmo tempo de vários países. Tudo tem os seus prós e contras.

                Concluo que a Globalização tem vários aspectos, várias perspectivas, não posso ser a favor, nem contra elas todas. A Globalização afecta todos e temos de ser imparciais a muitos aspectos, haverá sempre desfavorecidos e favorecidos, as desigualdades continuaram e será sempre um problema que nunca se irá apagar, só apenas pode ser atenuado, e isso faz-se respeitando os valores da Humanidade.    

 

publicado por Ricardo Vieira às 20:55
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

A economia escondida da Economia

“Olhe que sem facturinha fica mais barato.” Quantas vezes não ouve o consumidor esta frase e, esquecendo-se daquela outra que lhe diz que deve sempre pedir factura para combater a evasão fiscal, deixa-se conquistar pelas três sílabas mágicas da palavra barato? É evidente que os consumidores, confrontados com a possibilidade de pagar menos ao embustear o IVA, vão optar por fazê-lo e, consequentemente, alargar o universo de amigos do paralelo, eufemismo por vezes utilizado para designar aqueles que participam na chamada economia paralela.
Esta economia é feita à margem dos registos oficiais e, como tal, diz respeito não só à economia legal que desrespeita as normas fiscais e/ou sociais – incentivada pela possibilidade de evitar o pagamento de impostos sobre o rendimento, sobre o valor acrescentado e outros, o pagamento das contribuições para a segurança social, a lei do salário mínimo, o limite das horas de trabalho e as condições de segurança exigidas, as inúmeras burocracias, entre muitas outras leis e regulamentos que emagrecem os lucros do negócio –, mas também à economia ilegal, à economia informal e ainda à economia de auto-consumo.
De acordo com as estimativas apresentadas num estudo realizado pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, a economia não registada corresponderia, em 2003, a 21,9% do Produto Interno Bruto (PIB) português, colocando Portugal, em termos relativos, bem acima da média dos países da OCDE – 16,3% do PIB no mesmo ano.
No entanto, quantificar este tipo de economia é, devido à sua natureza, extremamente complicado e, como resultado, os dados relativos a esta questão irão apresentar discrepâncias consoante o método utilizado para o fazer. Friedrich Schneider, professor de economia na Johannes Kepler University of Linz, na Áustria, e autor de vários trabalhos de investigação nesta área, fala em dois métodos de estimar este valor: o directo, que consiste em perguntar às pessoas se fazem ou não parte da economia paralela, e o indirecto, que poderá basear-se em diferentes indicadores macroeconómicos.
O que parece ser consensual é que as estimativas não estão, de uma maneira geral, a diminuir, sendo a conjuntura actual propícia à proliferação desta economia escondida. Apenas alguns dos órgãos encarregues de controlar este tipo de fraude aparentam acreditar que os números estão a descer. Além de uma tentativa de não perderem a sua credibilidade, esta atitude poderá também indiciar a consciência de que há uma relação positiva entre a economia paralela e um sistema fiscal mais carregado e regulações mais apertadas. De facto, uma taxa normal de IVA de 20% instiga as pessoas a fugirem dela e, ao fazê-lo, propiciarem actividades paralelas e provocando, em última análise, o aumento dos impostos. Afinal, o défice orçamental terá de ser controlado de alguma maneira e, se uns não pagam impostos, outros terão de os pagar em maior quantidade. Este aumento dos impostos leva, por sua vez, a um maior número de tentativas de os contornar e assim sucessivamente.
Todavia, os prejuízos de uma economia sem registos não ficam por aqui. De acordo com Diana Farrell, anterior directora do McKinsey Global Institute e actualmente directora adjunta do Conselho Económico Nacional dos Estados Unidos, há ainda uma correlação negativa entre a economia paralela e a produtividade. Esta correlação fica a dever-se, em parte, à discrição adjacente às empresas que actuam em paralelo, que faz com que permaneçam pequenas e não usufruam de economias de escala, conduzindo a perdas de eficiência consideráveis.
É ainda de notar que, perante um mercado informal tão alargado, a procura de produtos e serviços no mercado formal tende a diminuir, deteriorando a situação de algumas das suas empresas e tornando o primeiro mercado ainda mais atractivo – às vantagens previamente referidas, une-se assim uma maior procura. Em última análise, este fenómeno é um inimigo da economia no seu todo e, como tal, as medidas adoptadas no seu combate devem ser muito bem pesadas e nunca negligenciadas.

publicado por Ricardo Vieira às 18:35
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Sábado, 14 de Novembro de 2009

Desigualdade social em Portugal: “ricos são muito ricos, pobres são muito pobres”

De acordo com um relatório apresentado em Bruxelas, Portugal é um dos países da União Europeia com maior desigualdade na distribuição de rendimentos.
Segundo o Relatório Sobre a Situação Social na União Europeia, os rendimentos são repartidos mais uniformemente nos Estados-membros que nos EUA, com excepção feita a Portugal, “Apenas Portugal apresenta um coeficiente superior ao dos Estados Unidos", sublinha o documento. Até países resultantes do alargamento, como Polónia, Letónia e Lituânia se encontram ao nível dos EUA.
No nosso país, a parcela auferida pela faixa dos 20 por cento da população com rendimentos mais elevados é mais de 7 vezes superior à auferida pelos 20 por cento da população com rendimentos mais baixos. Portugal é o país em que o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres é mais largo, sendo que, quase um milhão de pessoas vivem com menos de dez euros por dia, falando-se de 9% da população nacional quando nos restantes países da União a média é de apenas 5%.
O mesmo relatório denuncia ainda, que as discrepâncias verificadas se dilataram em Portugal entre 2000 e 2004, mostrando uma realidade social fortemente desigual. O desemprego é apontado como uma das causas do problema, já que Portugal é um dos cinco países em que se verifica que o risco de o desemprego levar a uma situação de pobreza é superior a 50%. Os baixos salários são outra das causas da pobreza no nosso país. A generalidade dos estudos aponta para taxas de risco de pobreza particularmente elevadas nos seguintes grupos: idosos; famílias monoparentais; profissões pouco qualificadas, maioritariamente no sector agrícola; deficientes e idosos portadores de doenças crónicas.
O Rendimento Social de Inserção (RSI) abrange agora mais famílias, depois de um crescimento de 15,3% no número de beneficiários entre Janeiro e Setembro do corrente ano, em comparação com o ano passado, passando para um total de 379 849 beneficiários. Actualmente, cada família abrangida por este apoio social recebe 242,25 euros mensais. No final do mês de Setembro, a prestação social de combate à pobreza abrangia 148 377 famílias, mais 22 856 do que há um ano atrás, indica o site da Segurança Social.
A União Europeia mostra ainda Portugal como um país de poucas oportunidades, revelando fraca mobilidade social. Quer isto dizer que, em Portugal, quando se nasce no seio de uma família de uma determinada classe social, dificilmente se sai dela. A baixa formação profissional é um dos factores que mais influencia esta realidade. Se imaginarmos uma criança, filha de um casal com empregos pouco qualificados, ela tem apenas 50% de probabilidade de aceder a uma categoria de emprego mais qualificado. Tal como referido anteriormente o núcleo familiar no qual se insere o indivíduo condiciona fortemente quer a sua qualificação profissional quer a literária levando à manutenção da mesma classe social dos progenitores, na medida em que delimita a ascensão social.
 

publicado por Ricardo Vieira às 19:34
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Salário Mínimo. Bem estar ou Penúria?

Em primeiro lugar é preciso perceber o que é o salário mínimo. O salário mínimo é uma remuneração mínima estipulada por um governo para determinado número de horas trabalhadas, com o objectivo de garantir que os trabalhadores menos qualificados tenham um salário “justo”.
O modelo mais tradicional do mercado de trabalho é um de competitividade perfeita. De acordo com este modelo, um nível de salário maior no mercado imposto por um aumento do salário mínimo aumentaria o número de trabalhadores dispostos a trabalhar por este valor, porque se algumas pessoas não estavam dispostas a procurar trabalho com aquele nível de salário, com esse aumento no salário mínimo elas já poderiam estar dispostas a trabalhar. Outra consequência é também diminuir o número de trabalhadores que as empresas estariam dispostas a contratar. Sendo assim, a diferença do número de contratados e dos que querem trabalhar por este valor é o que chamamos de desemprego. Em resumo e em jeito de conclusão da introdução, o número de trabalhadores no mercado é normalmente considerado directamente proporcional ao salário oferecido, à medida que o salário aumenta a oferta de trabalho aumenta. O oposto se verifica na curva de procura de trabalho, que varia inversamente com o salário.
Em teoria, um aumento do salário mínimo é uma boa notícia para quem o aufere, ou seja, os trabalhadores menos qualificados. Este aumento, muitas vezes provocado devido ao aumento da inflação, iria manter ou provocar um aumento do poder de compra e por consequência um aumento do consumo. Ou seja, em perspectiva, os trabalhadores mais beneficiados com este aumento seriam os trabalhadores menos qualificados, mas como vamos ver mais à frente, pode não ser bem assim.
Para tentar explicar, vou expor um caso prático e verdadeiro de uma empresa que vai sofrer com este aumento do salário mínimo: o Sr. Antunes, dono da empresa, está com um dilema: cada trabalhador seu cria, por mês, 550 euros de riqueza para a empresa, mas tendo em conta o mês de férias e o pagamento de 14 meses de salários, a produção de riqueza de cada funcionário é apenas de 432 euros. Isto em 2008. Ora, sendo o salário mínimo em 2008 de 426.5 euros, o valor de riqueza criado por cada funcionário pode ser considerado aceitável. Entretanto o governo em 2008 anunciou um aumento do salário mínimo para 450 euros em 2009. Este aumento pode ser uma boa notícia para os trabalhadores do Sr. Antunes, pois com o anúncio deste aumento eles vão ver o seu salário aumentado, ou não, pois continuará o Sr. Antunes com a empresa aberta quando os seus funcionários produzem uma riqueza inferior ao que ele lhes vai ter que pagar em 2009? Com estes valores, o Sr. Antunes iria ter prejuízos em vez de lucros, o que muito provavelmente iria levar ao despedimento dos seus funcionários.
Para se perceber isto é preciso perceber porque se criam empresas. Um empresário cria uma empresa para ter lucro, não para ter prejuízo. Para isso uma empresa precisa de trabalhadores, trabalhadores esses que produzam riqueza suficiente para esta ter lucro, que é o fundamento base da criação de uma empresa. Logo, uma empresa só vai contratar trabalhadores que lhe dêem lucro, não vai contratar ou manter trabalhadores que produzam um nível de riqueza inferior ao que lhes é obrigado a pagar. O trabalhador tem de gerar os lucros que o empresário considere suficientes para justificar a contratação.
Sendo assim, o salário de um trabalhador será tanto maior quanto maior for a riqueza produzida por este para a empresa e quanto mais raras forem as suas qualificações, ou seja, quanto maiores forem as suas qualificações. Com isto, os trabalhadores pouco produtivos só serão contratados se forem baratos. E, apesar de serem os trabalhadores menos qualificados os mais beneficiados com o aumento do salário mínimo, os que mantêm realmente o seu emprego e vêm o seu salário aumentado, também são estes trabalhadores que têm maior probabilidade de irem parar ao desemprego, pois as empresas podem não estar interessadas em pagar-lhes um salário superior à riqueza que estes produzem. Sendo assim, podemos dizer que no que diz respeito ao salário mínimo, existe um trade off, pois uns trabalhadores ficam contentes por verem o seu salário aumentado, ao passo que outros não pois vão ser despedidos devido a esse aumento do salário mínimo.
Aproxima-se uma batalha negocial entre sindicatos e governo em relação ao valor do aumento do salário mínimo nacional em 2010. A questão é pertinente numa altura em que CGTP e UGT pedem um aumento do salário mínimo no próximo ano dos actuais 450 euros para 475 euros - a meio caminho da meta de 500 euros em 2011. Vai ser então interessante saber o que vai acontecer ao emprego se estes aumentos do salário mini mo se realmente se verificarem, numa altura em que a percentagem de trabalhadores que recebem o salário mínimo em Portugal é de 6.8 %, sendo que no caso das mulheres esta percentagem aumenta para 9.7 %, enquanto que nos homens a percentagem é de 4.6%.

publicado por Ricardo Vieira às 18:00
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Desemprego nos EUA

Nos EUA, a taxa de desemprego atingiu 10,2% o que corresponde ao valor mais elevado desde Março de 1983, elevando-se o número de desempregados a 15,7 milhões (mais 8,4 milhões do que em Outubro de 2007), tendo o número de assalariados se reduzido em cerca de 190 mil (apenas ligeiramente menos do que os 200 mil sendo de assinalar que no sector privado a redução foi mesmo ligeiramente superior à resgistada no mês de Setembro).
Os números agora divulgados apontam para uma redução do emprego desde 2007 se cifre em mais de 5% enquanto que a redução do PIB foi de "somente" 2,8% o que indica que, ao contrário do habitual durante as um facto pouco normal durante recessões, a produtividade nos EUA estará mesmo a acelerar o que conjugado com a contenção dos salários gerada pelos elevados níveis de desemprego e a depreciação do dólar nos últimos meses significa um aumento muito apreciável da competitividade da economia americana o que deverá contribuir para, pelo menos, continue o processo de atenuação do forte desequilíbrio externo dos EUA.

publicado por Ricardo Vieira às 12:12
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Fraudes na Responsabilidade Social do Estado

A discussão sobre a responsabilidade social do Estado para com os seus cidadãos é sempre pertinente. No entanto, é quando o país atravessa maiores dificuldades económicas que o tema se torna mais apetecível à discussão nos meios mediáticos. Mas há temas que não são uma questão de moda ou, pelo menos, não o deveriam ser.
É com o objectivo de proteger as pessoas que se encontram em situação de falta ou diminuição dos seus meios de subsistência que o Rendimento Social de Inserção é atribuído, procurando promover a integração social e laboral dos beneficiados. Simplificando, é atribuído a todos aqueles que estejam numa situação identificada como de carência económica. Para uma família constituída por dois adultos e dois menores isto significa que os seus rendimentos devem ser inferiores a 561,54€.
Se perguntarmos às 379 849 pessoas que têm acesso ao RSI como é viver nesta situação, é provável que tenham dificuldade em explicar-nos. Mas podem com certeza explicar-nos por que a responsabilidade social não pode estar dependente de modas, campanhas eleitorais e outros oportunismos. Em Setembro passado, 148 377 famílias tiveram acesso a esta ajuda social, mais 22 856 famílias que no período homólogo. Apesar de estes números não serem surpreendentes dada a conjuntura económica que atravessamos, não deixam de ser alarmantes em termos económicos e sociais. Estes dados são mais inquietantes no distrito do Porto, onde se encontram 126 958 dos beneficiários. Em Lisboa, o número de beneficiários fica-se pelos 63 845.
Muitos dos beneficiários são pessoas que têm algum tipo de actividade profissional mas cujo rendimento de que dispõe não é suficiente para suprimir as suas necessidades mínimas. Cerca de um terço das pessoas que recebem o RSI têm empregos em part - time ou empregos a tempo inteiro mas que não chegam para pagar todas as suas despesas.
Devido ao elevado número de processos torna-se difícil verificar todas as alterações nas situações económicas dos beneficiários pelo que existem muitas fraudes. Nos primeiros seis meses do ano foram gastos 243,7 milhões de euros com o RSI. Em 2008, as fraudes na atribuição do RSI estão calculadas em 82 milhões de euros. As previsões para os primeiros seis meses deste ano são de 36 milhões.
Apesar de muitas vezes este tipo de rendimento social suscitar controvérsia devido às fraudes na sua concessão, não há dúvida que é devido a ele que muitas famílias não passam fome e outro tipo de carências que mais ou menos graves condicionam a sua vida. A solução para este problema deverá passar por uma maior fiscalização que seja capaz de identificar as atribuições indevidas, não só no que se refere ao RSI, mas também em todas as outras prestações sociais. Estas fraudes prejudicam a solvabilidade financeira da Segurança Social, logo, afecta a capacidade do Estado para responder às reais necessidades do país. Isto deve ser motivo de preocupação pois um dos objectivos das ajudas sociais é o de manter a equidade na sociedade e não é através de actos fraudulentos que esse objectivo é atingido.

publicado por Ricardo Vieira às 19:45
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Microcrédito: cura para a pobreza ou placebo?

Pessoalmente, agrada-me a ideia do micro-crédito, na medida em que pode permitir que algumas pessoas com capacidade empreendedora ou um talento possam lançar o seu pequeno negócio e assim romper o ciclo da pobreza. O modelo de Mohammad Yunus, fundador do Grameen Bank, o percursor do micro-crédito, parece ser interessante, a avaliar pelo que se diz nas notícias, sobretudo pelo empoderamento das mulheres. Mas daqui até usar o micro-crédito como modelo para acabar com a pobreza vai uma distância considerável.
A pobreza (tal como a degradação ambiental) é um subproduto do sistema capitalista. Qualquer solução para a pobreza que não coloque em causa os mecanismos produtores e reprodutores de desigualdades não passa de uma panaceia. Na melhor das perspecivas, como é o caso do micro-crédito, pode ajudar a retirar muitas pessoas da pobreza, sem que, contudo, o número total de pobres diminua significativamente. Na pior, como é o caso de campanhas vazias como o "Levanta-te contra a pobreza", são absolutamente ineficazes e servem apenas para desviar as atenções daquilo que é essencial.
Investigadores do Jameel Poverty Action Lab, do MIT, resolveram meter as mãos à obra e ver se, de facto, o micro-crédito pode ser uma cura para a pobreza. Os estudos, ainda não publicados, concluem que o microcrédito não oferece um meio para sair da pobreza. Oferece a alguns (os mais empreendedores) uma forma de começar o seu negócio, podendo ter efeitos multiplicadores nas micro-empresas existentas, mas os ganhos para os devedores, medidos pelo rendimento, consumo, saúde e educação são negligenciáveis. Isto acontece em parte porque a maioria dos novos micro-empresários gastam o dinheiro que receberam a pagar despesas menores, a pagar dívidas ou até em consumos supérfluos. Os estudos concluem ainda que o microcrédito nada faz para reduzir as desigualdades de género, podendo até servir para as reforçar.
Os resultados, curiosamente, vão de encontro à minha intuição: de facto, o micro-crédito pode ter um papel a desempenhar no combate à pobreza mas esse papel será reduzido.
Outra interessante conclusão é que a ideia de que os habitantes de zonas pobres são potenciais empreendedores aos quais apenas falta um pequeno empréstimo para sair da pobreza é um mito. Na realidade, a criação de um micro-negócio é algo habitual nestas zonas, onde há pouco emprego, assim como é habitual a falência destes negócios (mesmo com o micro-crédito, aliás, as taxas de juro são elevadíssimas). O que falta nos países sub-desenvolvidos são empregos estáveis e bem remunerados e empresas capazes de os fornecer (as quais dificilmente serão micro-empresas).

publicado por Ricardo Vieira às 21:54
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